Carta Programa



POR UM CANTO DE TODOS OS ESTUDANTES!

Somos a Canto Geral, a maior chapa, com 17 membros, e mais representativa, presente em todos os anos e períodos. Somos um grupo de estudantes que, ao olhar nossa universidade, nossa unidade e nosso curso e ver uma série de problemas que estavam colocados, resolveu se organizar e atuar ativamente nos processos que podem levar à uma real transformação dentro da universidade. Somos aqueles e aquelas que lutaram pela manutenção de nossa CoC ampliada para garantir maior participação estudantil no colegiado, conforme prevê a LDB; que estiveram a frente da mobilização para o não fechamento das 330 vagas no início deste ano; que construíram a I Semana de Artes, Ciências e Humanidades; que lutam e se articulam pela manutenção de nosso Espaço dos Estudantes; que se indignaram com a proposta da reitoria de criação do curso de Administração Pública da FEA na EACH e exigiram respostas de Rodas, Boueri e coordenação de GPP. Agora estamos dispost@s a melhorar o funcionamento de nosso centro acadêmico e estimular um Canto Geral dos estudantes de GPP para que estes protagonizem as mudanças que achem necessárias para melhoria do curso.

Passaremos por mais um processo eleitoral do Centro Acadêmico Herbert de Souza. Para além de votar e escolher uma ou outra chapa, devemos nos questionar algo anterior a isso: afinal de contas, pra quê serve um centro acadêmico? A “Canto Geral” acredita que a entidade não deve ser apenas uma secretaria de curso que toque apenas pautas e atividades burocráticas e institucionais, mas enxerga a entidade também enquanto um instrumento para a organização estudantil, que atue em defesa do curso de forma ampla, democrática e participativa e que protagonize discussões e debates politizados que acrescentem em nossa formação.

Queremos construir um CAHS atuante e forte, que esteja em permanente diálogo com os estudantes, estimulando o protagonismo estudantil, entendendo que uma gestão democrática depende da participação ativa da comunidade acadêmica e somente uma gestão estruturada de forma horizontal pode garantir essa participação. Todos devem ter o mesmo peso na hora das decisões e não apenas um presidente decidindo por um coletivo. Também queremos nos organizar através de comissões abertas para que os estudantes que não necessariamente façam parte da gestão, também tenham a oportunidade de contribuir com suas idéias e sugestões.

POR QUE É IMPORTANTE DEBATER A USP?

Dizem que estudamos em uma das melhores universidades do país. Para podermos afirmar isso é preciso termos clareza de qual é o papel de uma universidade pública. O tripé “ensino, pesquisa e extensão” baliza seu papel social e deveria, a priori, garantir essa qualidade por transformar a academia em um espaço de formação, reflexão e desenvolvimento de conhecimento para a sociedade. Mas só isso não basta.


A USP, segundo algumas pesquisas, é tida como uma das melhores universidades do mundo por desenvolver pesquisas de excelência nos ramos mais avançados das ciências. Esse critério, porém, parte da premissa do desenvolvimento pelo desenvolvimento, e é pautado por interesses, quase sempre, financeiros, desvirtuando o caráter publico e socialmente referenciado que deveria nortear a pesquisa.


No que tange o ensino, ficou evidente, no primeiro semestre, qual é o projeto que se pensa para a nossa universidade. O “Relatório Melfi”, que sugeria cortar 330 vagas de nossa unidade e o fechamento de cursos, é baseado em um plano de modernização e reformulação dos cursos da USP aprovado, para não dizer imposto, pela reitoria no ano passado que, grosso modo, tem relação com a “demanda social” da formação, ou seja, a demanda que o mercado tem por profissionais. Essa modernização, cuja matriz é a tal “demanda social”, traz graves implicações como, por exemplo, grades curriculares totalmente tecnicistas, podando o espaço da reflexão e do pensamento crítico. Além disso, é importante ter claro que, inclusive para os docentes, o ensino, a graduação, fica em segundo plano.


Acompanhado com o processo de reformulação dos cursos, vimos no ano de 2011 um retrocesso no programa do INCLUSP. Agora ainda é mais difícil para o aluno de escola pública entrar na universidade. Acreditamos que o debate sobre acesso e permanência deve ser uma prioridade na USP.  Atualmente muitos campi, como a própria EACH, não possuem moradia ou centro de práticas esportivas. Além disso, os valores das bolsas de auxilio são muitas vezes insuficientes para o sustento dos alunos.


Desta forma, os muros da universidade, tal qual sua prepotente superioridade, parecem muito maiores do que a necessidade da troca de conhecimentos e experiências com a sociedade. A extensão, com suas raras exceções, nada mais é que um espaço verticalizado, de auto-afirmação de um pensamento hegemônico e elitizado de sociedade, que não dialoga e se nega a absorver o que é demanda real do povo.

Nas últimas semanas vimos como a falta de democracia na universidade tem se evidenciado. O impasse hoje colocado mostra como há uma indisposição ao diálogo por parte da reitoria em discutir questões fundamentais, como a questão da segurança nos campi. Para além da dicotomia PM sim ou não, acreditamos que é importante se debater o que está colocado de fundo na universidade e um projeto alternativo de segurança como, por exemplo: melhoria da iluminação; aumento do número de ônibus, itinerários e circulares; guarda universitária, constituída por funcionários de carreira, de caráter preventivo e com formação compatível com direitos humanos; criação de um efetivo feminino de guardas, capacitadas para o atendimento de vítimas de assédio sexual e estupro. Entendemos que a ação de reintegração de posse realizada pela Tropa de Choque no dia 8 de novembro, apoiada pela reitoria, que culminou na prisão de 70 estudantes, só contribui para aumentar esse impasse, expressando a indisposição em solucionar a questão de forma democrática.

Fica evidente, então, que nossa universidade não cumpre e nem se dispõe a cumprir o que deveria ser o seu papel social. Acreditamos que a luta pela democracia, tanto interna, através de maior participação da comunidade acadêmica, como externa, através da democratização do acesso e da valorização das políticas de permanência, são fundamentais. Não estamos alheios ao que acontece na universidade como um todo e sentimos as implicações no dia-a-dia da nossa unidade.

E a EACH?

A Escola de Artes Ciências e Humanidades – EACH/USP – teve suas atividades iniciadas em 2005 com a proposta fundadora de que a comunidade da Zona Leste e a Universidade estabelecessem um diálogo mais próximo. Nesses termos, sabemos que a proposta não foi satisfatoriamente alcançada e que ainda falta muito para que a troca de saberes, via aproximação da universidade com a comunidade e, em resposta, da comunidade com a universidade, seja consolidada.

O que vimos neste ano foi exatamente o oposto da proposta pensada para a Escola. Em um ano em que cresceu a quantidade de estudantes provindos de escolas públicas, a reitoria propôs a redução do número de vagas oferecidas e até a extinção de cursos, para assim “tentar solucionar” os problemas de precarização e falta de infra-estrutura da unidade,  e o corte na verba destinada para moradia e permanência. O descaso também se demonstrou com o fechamento do cursinho Pró-Universidade, que tinha como objetivo incluir os estudantes da Zona Leste na universidade pública.


A postura da direção da EACH não é diferente e tem se mostrado cada dia mais antidemocrática, passando por cima das negociações anteriormente feitas para melhorias do Espaço dos Estudantes, não reconhecimento das entidades estudantis e prioridades de alocação de recursos invertidas, sem consulta à comunidade acadêmica sobre a melhor forma de utilizar a verba destinada para melhoria das condições de ensino, pesquisa e extensão.


Percebemos com essas atitudes a total falta de diálogo dos órgãos que decidem os rumos da universidade com professores, estudantes, funcionários e comunidades do entorno.
Esperamos poder dialogar com os Centros Acadêmicos, com os Coordenadores dos cursos, com outras organizações ativas dentro da EACH e outras formas de organizações sociais que buscam contato com a Universidade para oferecermos um projeto dos estudantes com as soluções para os problemas que enfrentamos.


E nosso curso?

Neste momento de eleição para o Centro Acadêmico Herbert de Souza, se apresenta uma grande oportunidade de aprofundarmos o debate sobre nosso curso, nossa formação acadêmica e o papel que nós, futuros gestores de políticas públicas, desempenharemos na sociedade. Nessa perspectiva, a chapa “Canto Geral” propõe que façamos uma séria reflexão a respeito desses pontos.

No primeiro semestre de 2011, fomos surpreendidos com um pedido da Reitoria da USP para a Faculdade de Economia e Administração (FEA) de estudar a viabilidade da criação de um curso de Administração Pública (AP) em nossa unidade. Tal pedido aconteceu de forma unilateral, sem um diálogo prévio com a coordenação de GPP nem com a direção da EACH, criando certo atrito entre as instâncias de direção e bastante ruído entre os estudantes e professores. Por conta dessa solicitação, vimos surgir o debate GPP X AP e entendemos a importância de aprofundar essa discussão.

Nossa unidade foi pensada de maneira diferente dos outros campi da USP, tendo como foco uma grade curricular transversal e multidisciplinar, tanto no curso quanto na unidade.  Além de GPP não fugir disso, a área de políticas públicas é recente, tal qual nosso curso e, portanto, nosso currículo e o perfil do profissional formado ainda estão em processo de amadurecimento.

O surgimento da proposta de um curso de AP, da forma como foi, põe em cheque não só nosso curso, mas também o projeto político pedagógico da EACH. O curso de Administração Pública tem histórico em nosso país desde a década de 60. Com o passar do tempo (e a consolidação do curso de Administração de Empresas), a AP passou a ser enxergada como uma ênfase da AE e não como uma área específica de formação e, por conta disso, seu formato e sua grade ficaram blindadas dentro do “guarda-chuva” da AE.

A área de políticas públicas vem crescendo nos últimos anos com o surgimento de diversos cursos de GPP e correlatos a nível nacional. É fundamental, então, que avancemos num debate sério sobre as diretrizes nacionais curriculares de nossa área para que ela se consolide.

O espaço da FENEAP (Federação Nacional dos Estudantes de Administração Pública) é central para que possamos dar seguimento nessa consolidação. Porém, hoje, a FENEAP não dá respostas a essas demandas e atua mais como uma frente institucionalizada de debates e de reafirmação do status quo da formação em AP. Existe, também, a iniciativa do “Fórum de Coordenadores”, que vem discutindo e formulando acerca das DNCs. O grande problema dessa iniciativa é que, a princípio, não permite uma participação ativa dos estudantes, burocratizando e afastando o debate do dia a dia da sala de aula. Por isso é necessário que criemos espaços alternativos de debate e acúmulo para suprir as dificuldades enfrentadas hoje. Nessa perspectiva propomos a criação do “Fórum da Graduação”, que atue local e nacionalmente, articulando estudantes e entidades de base, fortalecendo assim nossa área e pensando coletivamente no que queremos estudar e qual o nosso perfil profissional.

Todas essas iniciativas de debate ajudam na elaboração do novo PPP de nosso curso. Estamos passando por um momento de reformulá-lo, e pensando em todas as questões previamente abordadas, entendemos que o fortalecimento de nosso curso e de nossa área advirá do aprofundamento da inter e multidisciplinaridade, a partir das quatro grandes áreas que já trabalhamos – Ciência Política, Economia, Direito e Gestão.

A OGP, que é um espaço de organização dos estudantes, autônomo ao CA e com uma função diferenciada, que é pensar em experiências profissionais, mercado de trabalho, consultorias e etc., tem papel importante nesse debate. Acreditamos que manter um contato mais cotidiano é importante para as duas entidades, na finalidade de construirmos espaços de discussão sobre o curso, o mercado e o fortalecimento de nosso curso na sociedade e na própria universidade.

Queremos deixar claro que não temos fórmulas prontas nem opiniões impositivas. Pretendemos estimular o debate sobre nossa área e o nosso curso, pensando exclusivamente em seu fortalecimento. Para isso, entendemos que é importante reivindicar espaços democráticos de debate e de decisão em nosso curso. A manutenção da CoC ampliada e a criação de um fórum de debates dos RDs do curso estimulam a participação e permitem uma tomada de decisão e atuação mais representativa.

E o nosso CA / ME, o que tem de fazer?

Chegou a hora de mudar esta situação. No período 2011-2012, devemos seguir discutindo e lutando pela participação da comunidade acadêmica nas decisões dos rumos da Universidade. Democratizando o Movimento Estudantil e mudando a cara do CAHS, poderemos exigir democracia na nossa unidade e universidade.

A chapa Canto Geral surge com a disposição de mudar a cultura política do Movimento Estudantil de Gestão de Políticas Públicas. Devemos formular coletivamente para democratizar as discussões referentes ao curso, além de propor atividades culturais e políticas que extrapolam as discussões feitas em sala de aula e são extremamente necessárias para a formação de um gestor de políticas públicas.

Assim, no momento da eleição, devemos estar atentos ao que se apresentará. É importante que possamos discutir e participar para construir outro CA, outro Movimento Estudantil e, de fato, exigir a transformação.

Propostas

Para atuar em defesa de GPP propomos:
- Criação do Fórum da Graduação, um espaço em que os estudantes se reúnam regularmente para discutir: grade curricular, avaliação dos docentes, plano político pedagógico, mercado de trabalho, atividades extracurriculares, estágios e pós-graduação;
- Permanência de comissão aberta e avaliação coletiva da Semana de Gestão de Políticas Públicas;
- Atividades e debates de formação e reflexão sobre GPP e sociedade, com convidados externos e internos;
- Integração e aproximação com os ex-alunos;
- Fortalecimento do curso através de trabalhos de divulgação em escolas, cursinhos, instituições públicas e ONGs;
- Fortalecimento nacional do curso através de atividades e comunicação com os demais cursos de GPP (UFABC, UNICAMP, UFRN, UFMG, FJP, FGV);
- Articulação com a representação discente.

Para democratizar o CA e o Movimento Estudantil propomos:
- Gestão participativa com comissões abertas como: cultura, eventos, divulgação, relações institucionais etc;
- Reuniões abertas periódicas da gestão;
- Comunicação permanente: boletins periódicos, mural de GPP e comunicação virtual;
- Reiv  indicar e Instituir um CA físico que desenvolva atividades e atue em defesa do espaço estudantil;
- Fortalecimento da extensão universitária e comunidade do entorno;
- Parceria com a Reserva Cultural para banco de troca de xerox;
- Festas e atividades de integração como financiamento da entidade;
- Aproximação com as demais entidades e CAs da EACH e da USP;
- Rádio GPP;